Ao longo da presente época, muitas têm sido as vozes de descontentamento não só pelo futebol praticado pelo Benfica, como também pelas opções táticas e escolha de determinados jogadores em detrimento de outros.
O caso de Florentino Luís é, claramente, um mistério. Depois
de, na temporada passada, ter subido à equipa principal proveniente da equipa B
e ter jogado praticamente toda a segunda metade da época, ajudando os
encarnados na conquista do 37º título nacional, esta época o cenário mudou por
completo. Ainda que numa fase embrionária da nova época tenha mantido a
titularidade juntando, inclusive, a conquista da Supertaça, a partir do mês de novembro
deu-se o eclipse daquele que, na minha opinião, é um verdadeiro diamante por
lapidar.
Ao contrário do que muitos afirmam, o desaparecimento de
Florentino deu-se bem antes da chegada de Julian Weigl, o que nos leva a pensar
o que poderá ter estado na génese de tal situação. O jovem português foi
preterido das escolhas e, muito rapidamente, passou de titular absoluto para a
bancada. Além de ter estado atrás de Samaris e até Fejsa na disputa pelo lugar,
quando Bruno Lage parecia ter encontrado uma nova fórmula no meio campo (Gabriel-Taarabt),
surgiram as primeiras notícias de uma possível saída de Florentino que, até aos
dias de hoje, se mantêm como uma possibilidade real para dar continuidade à sua
carreira e permitir um encaixe financeiro ao clube.
Confesso que me custa ver um jovem que, além de todo o
potencial indiscutível que tem, já reúne as condições e qualidade necessária
para ser titular no Sport Lisboa e Benfica. É certo que Weigl tem crescido nos
últimos jogos, mesmo com o mau momento coletivo, mas isso não seria impedimento
para uma maior rotatividade na posição 6 ou, num cenário diferente e, a meu
ver, perfeitamente adequado a escolha por um modelo com um meio campo possível
de conciliar Weigl e Florentino. Todos reconhecemos a qualidade inegável do
médio alemão proveniente do Borussia Dortmund, mas os pontos fortes de Florentino
não podem ser apagados. O jovem encarnado pauta o seu jogo por um excelente posicionamento,
qualidade de passe, sobretudo passes entrelinhas como ficou bem patente no jogo
contra o Vitória SC (não apenas passes para o lado e para trás como muitos
preconizam), imensas recuperações de bola derivadas da boa reação à perda,
capacidade de pressionar alto e a capacidade de ser um elemento fundamental
tanto na organização defensiva como na transição defensiva, processos coletivos
que, desde há algum tempo, têm sido problemáticos na equipa do Benfica.
Desde Novembro até ao jogo frente ao Vitória SC, contam-se
apenas 180 minutos de utilização (90m em Famalicão na 2ª mão da Taça de Portugal
e outros 90m na 1ª mão da Liga Europa contra o Shakhtar Donetsk), um número
extremamente escasso e injusto para o jogador em questão, devido àquilo que,
como mencionei anteriormente, oferece à equipa.
Depois da excelente entrada no jogo passado e com o castigo de Julian Weigl (5ª amarelo) no próximo jogo frente ao Desportivo das Aves, será que irá aparecer uma luz ao fundo do túnel que permite a reintegração e regresso às escolhas principais do jovem Florentino ou a situação permanecerá inalterada, podendo ainda culminar na saída do jogador no próximo mercado de transferências? Aguardemos, com muita curiosidade, certamente.

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