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Andrija Zivkovic - A eterna promessa adiada

 Zivkovic despediu-se do Benfica

Na passada quarta-feira, foi anunciada a rescisão por mútuo acordo de Andrija Zivkovic, desvinculando-se, assim, do SL Benfica, clube que representou durante as últimas 4 temporadas. O acordo ficou selado com o jogador a receber ainda cerca de 1.8 milhões de euros, abdicando de parte do elevado salário que iria auferir na época de 2020/2021 (cerca de 5 milhões de euros).


Despontou muito jovem na equipa do Partizan de Belgrado, estreando-se na temporada 2012/2013, com apenas 16 anos na equipa principal, num jogo da Superliga Sérvia. A partir daí, começou a integrar o plantel e, gradualmente, a ser aposta do clube. Também nas seleções jovens da Sérvia foi somando internacionalizações, com destaque para a campanha de 2015, que levou a seleção de sub-20 à conquista do Campeonato do Mundo, até chegar à equipa A, tendo até à data, um total de 17 jogos em que foi utilizado. Quanto ao clube, apesar do interesse e tentativas de renovação por parte dos sérvios, o jogador e, mais propriamente o pai (seu empresário), nunca facilitaram o cenário para estender o vínculo contratual.


Na época de 2015/2016, apenas com cerca de meia temporada disputada, Zivkovic levava números impressionantes para um jovem da sua idade (na altura com 19 anos), contabilizando 12 golos e 8 assistências em 27 jogos, sendo que 4 deles foram apontados nos 5 jogos que realizou na UEFA Europa League, demonstrando que o seu talento começava a extravasar o âmbito nacional. 

Com a excelente época realizada até ao momento, obviamente o interesse de grandes clubes europeus começou a acentuar-se. Mais uma vez, o Partizan tentou renovar com o atleta, pedido que foi negado e, como tal, o clube de Belgrado abriu um processo disciplinar ao jogador, sendo colocado de parte e não jogando desde fevereiro até ao final da época.


Em final de contrato, vários clubes tentaram a contratação do extremo, mas foi o Benfica a levar a melhor, tendo conseguido realizar a transferência e contando, assim, com um jogador que prometia bastante. Ao serviço dos sérvios, participou em 93 jogos, apontou 24 golos e assistiu por 13 vezes, trazendo para a Luz um excelente cartão de visita.


Se as coisas já não estavam fáceis, no Benfica também se caracterizaram por uma contínua intermitência, nunca sendo um titular absoluto e, em alguns momentos, sendo atormentado por lesões que o afastavam da equipa e, depois, traziam a consequência de perda de ritmo competitivo, dificultando a sua reintegração no leque de escolhas que, sejamos francos, eram de grande quantidade/qualidade no plantel encarnado (Salvio, Cervi, Carrillo, Rafa).

Ainda assim, no seu primeiro ano, realizou 24 jogos, marcou um golo e anotou umas interessantes 11 assistências, nem sempre como titular, e jogando com maior frequência na segunda metade da época.


Na segunda metade da temporada seguinte (17/18), podemos apontar aquela que foi a fase onde Andrija Zivkovic evidenciou em pleno as suas capacidades, curiosamente jogando fora da posição de origem (extremo direito) e também daquela onde atuou várias vezes no Benfica (extremo esquerdo), neste caso, jogando como interior num meio campo a 3, na altura, constituído por ele, Pizzi e Fejsa na maioria das vezes. A capacidade de jogar entre linhas, a qualidade de passe (longo e curto), os cruzamentos, arrancadas e técnica começavam a deixar água na boa dos adeptos encarnados que viam, finalmente, o talento da promessa sérvia.


Apesar desse período de maior fulgor, em 18/19, voltou a ser opção para extremo esquerdo e o rendimento pautou-se por uma inconsistência tremenda. A troca de treinador no leme benfiquista (saiu Rui Vitória para entrar Bruno Lage), de sistema tático e dinâmicas, marcou também o desaparecimento do jovem sérvio, ainda que tenha sido titular ou opção nos primeiros jogos do técnico, a verdade é que foi caindo progressivamente nas escolhas.


Dificultando a saída, apresentado-se numa condição física desleixada (com kg a mais) e, segundo foi público pelas conferências de Bruno Lage, com muita pouca dedicação, vontade e esforço nos treinos, alinhou apenas por 4 vezes na passada época, já numa reta final e numa fase em que o técnico procurava desesperadamente conseguir vitórias. Ficou facilmente percetível que estava a chegar ao fim a caminhada no SL Benfica, não tendo lugar nas opções do agora treinador Jorge Jesus, sobretudo, pela falta de intensidade e compromisso.


Sai, desta forma, do clube pela porta pequena, tendo conquistado 2 vezes a Liga NOS e uma Taça de Portugal, mas sem deixar saudades aos adeptos, ainda que uma falange sinta com muita pena a perda, essencialmente, pelo enorme talento desperdiçado. Podemos questionar se, em algum momento, a culpa foi do SL Benfica e dos treinadores que pelo clube passaram? Não me parece. As oportunidades foram várias, em mais que uma posição, mas o rendimento quase sempre aquém das expetativas e de uma irregularidade tremenda. A vida fora do campo, os comportamentos menos adequados e o seu empresário também contribuíram para complicar a vida do sérvio e precipitar este desfecho menos feliz.


Com 24 anos, e ainda uma longa carreira pela frente, Andrija Zivkovic certamente terá de repensar as suas opções, estilo de vida e personalidade de forma a singrar no futebol de alto rendimento e justificar todo o enorme talento detetado em idades muito jovens. Cá estaremos para acompanhar as próximas etapas da sua carreira.





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