Na noite de ontem, foi anunciado o retorno de Jorge Jesus ao
futebol português, neste caso, para representar novamente o SL Benfica. Após um
trajeto curto mas de enorme sucesso ao serviço do Flamengo, o técnico português
regressa a uma casa onde conquistou 10 títulos e praticou um futebol que deixou
saudades na maioria dos adeptos encarnados. Apesar da sua saída para o rival
Sporting CP, em 2015, provocando uma acesa disputa, troca de palavras e
acusações durante uma época inteira, parecia desde há uns tempos evidente o
interesse de Luís Filipe Vieira em trazer o técnico português novamente para o
comando das águias.
Na primeira passagem, Jorge Jesus praticou um futebol
ofensivo, de pressão alta, com muita organização e detalhe nos momentos de
jogo, além de ser visto também como um treinador de excelência nos processos de
treino. Conquistou 3 campeonatos e perdeu outros 3, ainda que, sejamos francos,
para um FC Porto com plantéis de qualidade muito superior aos de hoje em dia.
Além disso, conduziu o Benfica a duas finais europeias, algo que merece realce
tendo em conta que o Benfica se encontrava há 23 anos arredado destes palcos.
Na Liga dos Campeões, atingiu por uma vez os quartos de final da prova, porém
em 5 edições conseguiu apenas por essa vez passar uma fase de grupos, algo que,
certamente, pretenderá mudar e melhorar nesta nova passagem. Valorizou bastante
alguns jogadores, o que permitiu avultados ganhos em transferências para o
clube da Luz.
Com eleições em outubro, a aposta em Jorge Jesus fica patente
como um ato de “all in” por parte do presidente Luís Filipe Vieira, sobretudo
depois de, em 2015, ter prescindido do treinador para iniciar um projeto com
moldes diferentes, essencialmente com a aposta em jovens da formação, dando a
entender, atualmente, que errou ao mudar a política. Ainda assim, parece-me que
Jorge Jesus deverá ter aprendido com erros do passado (por exemplo, os casos de
João Cancelo e Bernardo Silva), podendo olhar agora de uma forma distinta para
alguns jovens de enorme potencial nos quadros do clube e enquadrá-los na equipa
a curto/médio prazo, caso entenda que estes reúnem as qualidades e funções
exigidas para o seu modelo de jogo muito específico e rigoroso (Tiago Dantas,
Gonçalo Ramos, Paulo Bernardo, Úmaro Embaló, entre outros). No entanto, com a
vinda do técnico é previsível um investimento forte do Benfica no próximo
mercado de transferências, certamente com muitas entradas e saídas no plantel
encarnado, de forma a criar um impacto e mudanças imediatas. Com o elevado
investimento em vista, o objetivo poderá, finalmente, passar pelo tal “Benfica
Europeu” muito falado nos últimos tempos, mas que, na prática, não se
concretizou.
Pelas reações nos últimos dias, a conclusão que se retira é
uma certa divisão nos adeptos relativamente a esta contratação. Alguns, muito
felizes com o regresso e convictos que será o homem certo para elevar a
qualidade de jogo da equipa, com o regresso à famosa "nota artística", assim como para exigir um plantel mais forte e
profundo. Outros, não esquecendo todos os episódios com o eterno rival Sporting,
após a sua saída, contra esta contratação por considerarem uma afronta aos
valores e identidade do clube e, ainda, com receio que a história de sucesso
não se repita desta vez.
Em suma, creio que será uma contratação e um regresso que elevará a qualidade de jogo do Benfica e, consequentemente, do futebol português. O tempo dirá se foi uma boa ou má escolha, mas a expetativa para perceber qual será o futuro do Benfica, se a águia voltará a voar bem alto, é extremamente elevada nas hostes encarnadas, e não só.

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